sábado, 28 de abril de 2012

Saiu a crítica do Hohlfeldt e adivinha?

Gente!!!

Saiu a crítica do Hohlfeldt sobre o "Portas do Invisível" e é simplesmente maravilhosa!!!

Bem, a gente tem dito por aí que tu não pode perder a peça e tal. Te convenceu agora? Vem, vem! Mas corre, porque o tempo voa e não é mole abrir as portas!

Tá, tá ali embaixo a crítica. Dá uma olhada e vem ver a peça!

Abraços,




Início de uma trilogia, comemoração de uma caminhada
Antônio Hohlfeldt
Notícia da edição impressa de 27/04/2012


Nas comemorações dos dez anos do Grupo Neelic de teatro, sua idealizadora e principal diretora de espetáculos, Desirée Pessoa, apresenta-se, ela mesma, no palco, no espetáculo chamado Portas do invisível, primeiro de uma trilogia de trabalhos sob a denominação de Trilogia sensível.

O trabalho, com cerca de uma hora de duração, traz o Neelic para fora de seu espaço habitual, a Usina do Gasômetro. Aqui, estamos no flexível espaço da Sala Carlos Carvalho, da Casa de Cultura Mário Quintana. O espaço cênico é de Marçal Rodrigues, que assina, com Desirée Pessoa, o roteiro e a direção do espetáculo.

Fotografia de Kiran León. Espetáculo 'Portas do Invisível'.

Desirée realiza um trabalho autoral, pois se apresenta em trabalho solo. O formato lembra os antigos e clássicos textos enquadrados, isto é, há uma situação geral que serve de passe-partout para as demais encenações. No caso, o trabalho abre-se com um texto que fala a respeito das diferentes perspectivas da mulher, para depois se desdobrar em múltiplos textos clássicos em que as personagens femininas - fortes, como diz a atriz e diretora - avultam: a Antígona, de Sófocles; a Medeia, de Eurípides; e a Lady Macbeth, de Shakespeare. Imagina-se que outras personagens surgirão nos dois espetáculos seguintes.

No trabalho aqui apresentado, a atriz muda constantemente de personalidade. Assim como assume a perspectiva de Antígona ou de Medeia, interrompe repentinamente seu trabalho, ao toque de chamado de um telefone celular, para marcar sucessivos encontros com interlocutores que se apresentam do outro lado da linha, anônimos. A situação, evidentemente, sugere alguma garota de programa a garantir seu sustento, mas tal situação não evolui, ao longo do espetáculo e, portanto, torna-se mera especulação. Serve, contudo, para que observemos a radical transformação da impostação corporal, da entonação vocal, da própria personalidade, enfim, que temos no palco.

Espetáculo fortemente marcado pelo tempo lento, como se se tratasse de um ritual a que a plateia é convidada a assistir, Portas do invisível é um claro exercício de superação a que a diretora/atriz se submete, como que pretendendo mostrar o quanto ela - diretora - é capaz de realizar, enquanto atriz.

Pela formatação do espaço (neste caso, relativamente semelhante ao da sala em que habitualmente o grupo se apresenta), a interação da atriz com a plateia é permanente e bastante forte, tanto que, em certo momento, ela entrega a alguns dos espectadores uma carta que busca entre as cordas que se acham dependuradas, ocupando todo o espaço cênico, sem, contudo, prejudicar o movimento da atriz, porque se encontram situados acima de sua cabeça. Cada uma dessas cordas, vê-se então, possui o mesmo tipo de envelope e de carta, aparentemente também de igual teor, na qual a realizadora agradece ao espectador por ter vindo assistir ao espetáculo. O texto aproveita para destacar que, nesta nova fase de comemoração, os espetáculos experimentais investirão em trabalhos híbridos, mesclando dança e teatro. Aqui se verifica, então, a qualificação da intérprete. Mais que uma atriz, Desirée Pessoa tem preparo de bailarina, e isso fica evidente no movimento que desenvolve em cena, ao longo de todo o trabalho.

Não se trata, este Portas do invisível, de um espetáculo simples e digestivo. É um trabalho experimental, claramente pensado para um público que vem acompanhando o grupo e que, efetivamente, gosta de teatro. Daí a intimidade buscada entre a intérprete e a plateia, o que resulta num trabalho mais intimista que experimental, capaz de sensibilizar o espectador. A esperar, agora, os próximos espetáculos que nos permitirão, ou não, avaliar no seu conjunto a proposta apresentada.      

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Um pouquinho de Magritte

"... a paisagem leva-nos a pensar na noite, o céu no dia. Na minha opinião, esta simultaneidade de dia e noite tem o poder de surpreender e de encantar. Chamo a este poder poesia" - Magritte

René Magritte," O império da luz".

domingo, 22 de abril de 2012

Estreia perfeita de "Portas do Invisível"

Quando a gente trabalha muito mesmo por alguma coisa, não tem outra alternativa senão dar tudo certo.

Assim foi na estreia de "Portas do Invisível". Impecável estreia. Por ora trouxemos para cá apenas algumas fotos, das muitas feitas pelo nosso fotógrafo Kiran León, apenas para lembrá-los de que hoje é o último dia deste findi.

Durante a semana postaremos fotos de bastidores, dos preparativos da técnica e outras de cena.

Então, vem pro teatro abrir tuas portas, que estamos te esperando!

Não esquece: 20 de abril a 13 de maio (sexta a domingo), às 20h, no Teatro Carlos Carvalho da Casa de Cultura Mario Quintana.






terça-feira, 3 de abril de 2012

Nossas Influências: Odin Teatret

Mais um post sobre nossas influências de trabalho! Neste, trazemos um pouquinho sobre a Antropologia Teatral e a prática do Odin Teatret, dirigido por Eugenio Barba. Boa leitura!


"A Antropologia Teatral, e o conjunto de práticas cênicas associadas a este campo, definem o que Eugênio Barba chamou de Terceiro Teatro. 

Para o Odin Teatret, o teatro se constitui em dois extremos: de um lado, o teatro institucional, protegido e subvencionado pelos valores culturais alojado, principalmente, na lógica da indústria do divertimento e, por outro lado, o teatro de vanguarda, experimental, de pesquisa, que procura uma originalidade, defendendo-se em nome de uma superação necessária da tradição, aberto para o que de “novo” ocorre nas artes e na sociedade. 

O Terceiro Teatro seria então uma terceira vertente, a zona teatral que vive à margem desses dois teatros, fora dos grandes centros culturais, e se aloja na periferia. Por definição de Barba “um teatro de pessoas que se definem atores, diretores, homens de teatro, quase sempre sem terem passado por escolas tradicionais de formação ou pelo tradicional aprendizado teatral, e que, portanto, não são ao menos reconhecidos como profissionais” (BARBA, 1994 p.143). 

O Terceiro Teatro não se pautaria pelas leis de oferta e procura que caracterizam o mercado, nem estaria orientado pelo gosto corrente, buscando assemelhar-se ao padrão do teatro comercial. O Terceiro Teatro, pela força de um trabalho contínuo, buscaria estabelecer um espaço próprio, que seria propício ao grupo independente, e estaria fundamentado no respeito das diferenças. 



"O que parece definir o Terceiro Teatro, o que parece denominador comum entre grupos e experiências tão diferentes, é uma tensão dificilmente definível. É como se as necessidades pessoais, às vezes nem formuladas a si mesmo – ideais, medos, múltiplos impulsos que se manteriam opacos – quisessem se transformar em trabalho, com uma postura que externamente é justificada como um imperativo ético, não limitado à profissão, mas estendido à totalidade da vida cotidiana. Este é o paradoxo do Terceiro Teatro: mergulhar-se, como grupo, no círculo da ficção para encontrar a coragem de não fingir" (BARBA, 1991, p.144)."

In: EUGÊNIO BARBA E O TEATRO DE GRUPO, Valéria Maria de Oliveira (Atriz/pesquisadora do Grupo Porto Cênico, docente da Universidade do Vale do Itajaí, membro da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas - ABRACE).